segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Casos de DST´s preocupam pela desinformação

Jovens do Interior, de pouca escolaridade e da zona rural, são o perfil de principais infectados por doenças sexuais.
A desinformação não provoca doenças, mas está presente onde um surto se pronuncia de forma silenciosa, sem diagnóstico e, portanto, sem tratamento. A população, em geral, sabe que os preservativos previnem de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST´s), mas em muitos casos o conhecimento sobre a doença não passa do nome que lhe deram. O resultado é que jovens do Interior, de pouca escolaridade, moradores da zona rural, carregam o perfil de principais infectados por vírus e bactérias transmitidas pelo ato sexual, segundo levantamento feito pela pesquisadora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Ceará (Uece-Limoeiro), Lucilene Nobre, apontando a falta de informações sobre a sífilis por jovens de escolas públicas do município, que registrou, no ano passado, o nascimento de oito bebês com a doença.
A sífilis é um tipo sério de infecção bacteriana que pode causar desde uma pequena lesão nas partes do corpo, parada cardíaca ou morte cerebral ou parada cardíaca. Sua transmissão se dá, principalmente, pelo contato sexual. É, portanto, uma Doença Sexualmente Transmissível (DST). "Muita gente usa camisinha achando que estão prevenindo apenas da gravidez ou do vírus HIV", afirma Lucilene Nobre, autora da pesquisa realizada com 101 jovens de duas das maiores escolas públicas estaduais de Limoeiro do Norte, sobre o grau de conhecimento da sífilis no município, onde, somente no ano passado, foram confirmados oito bebês que nasceram com a doença, transmitida via placenta pela mãe.
Profissionais da saúde pública fizeram levantamento com jovens de Limoeiro do Norte sobre os riscos de DST´s, principalmente a sífilis.
Em 845 nascidos vivos em 2008, seis apresentaram a doença. O número é, pelo menos, seis vezes maior que o aceitável pelo Ministério da Saúde (até um caso de sífilis congênita para cada mil nascidos vivos) e quatro vezes maior que o número de confirmações em 2008. E somente entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano foram confirmados mais dois casos de sífilis congênita no município. A situação não é análoga nos outros municípios, com a mesma - ou maior - vulnerabilidade.
Os dados de Limoeiro do Norte têm sido levantados desde 2008 porque é um dos 16 municípios do Estado considerados prioritários no Programa de Controle de DST-Aids. A preocupação com os índices de HIV, considerados altos, estende-se para outras doenças transmitidas no contato sexual.
O controle de outras DST´s ganhou maior força somente no ano passado. Tanto que a divulgação entre os anos de 2008 e 2009 sobre os riscos da sífilis geraram um resultado, em todo o Brasil de 2.633 casos confirmados da doença em sua forma congênita (transmitida para o bebê ainda na barriga da mãe), contra apenas 192 no ano anterior. No Ceará, em 2009 foram confirmados 217 casos de sífilis congênita, contra 13 em 2008. Em Limoeiro do Norte, foram oito casos em 2009, seis casos em 2008, e só nos primeiros meses deste ano confirmaram-se dois novos casos de sífilis congênita.
No levantamento feito com 101 alunos de duas escolas públicas estaduais de ensino médio de Limoeiro do Norte, a pesquisadora Lucilene Nobre, da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam) percebeu que pelo menos 32% não tinham qualquer informação sobre sífilis, 67,9% nunca trataram com o médico de dúvidas sobre relações sexuais. Dos que sabiam sobre a doença, pouco mais da metade sabia sobre a principal forma de transmissão da bactéria que causa a infecção. O assunto também não foi tratado pelos agentes de saúde em 73% dos que dizem receber na residência visita desse profissional.
No ano de 2008, o número total de casos confirmados de sífilis em Limoeiro do Norte (congênita e em gestantes) foi de 39 pessoas. Dessas, 89,9% eram mulheres. A pesquisa ainda demonstra que a maioria das pessoas infectadas mora na zona rural, têm entre 14 e 27 anos e não tem mais que o Ensino Fundamental.
De acordo com a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde de Limoeiro do Norte, Gláucia Moura, os casos têm se tornado evidentes porque há uma maior informação e as pessoas "estão começando a se preocupar, buscar o diagnóstico". Desde 2009, o município realiza a campanha "Saiba Mais", para tratar com palestras e atividades culturais a informação sobre sintomas, diagnóstico e tratamento das Doenças Sexualmente Transmissíveis. O maior público alvo são os jovens com vida sexual ativa.
AUTO DA CAMISINHA
Peça aborda uso de preservativos
A falta de diálogo em casa com os pais, seja porque nem estes estão instruídos ou mesmo pela timidez na comunicação sobre assuntos considerados tabus, notadamente sobre sexo, os jovens são informados na escola, pelos meios de comunicação, ou pelas campanhas educativas realizadas nos municípios.
Durante o levantamento sobre o nível de conscientização dos jovens de Limoeiro sobre a sífilis, com incidência considerada grave, a pesquisadora Lucilene Nobre, graduanda do curso de Ciências Biológicas realizou seminários e palestras para fazer as mesmas perguntas aos jovens antes total ou parcialmente desinformados sobre os riscos da doença.
Jovens da escola Lauro Rebouças de Oliveira assistiram à peça 'O Auto da Camisinha', sobre os riscos de contaminação por DST.
No núcleo de mobilização social da Secretaria Municipal da Saúde de Limoeiro, as atividades de divulgação sobre os cuidados com as Doenças Sexualmente Transmissíveis não podem deixar de fora a preocupação com a sífilis. Estima-se que em todo o Brasil existam 937 mil casos de sífilis, enquanto 630 mil casos são de pessoas infectadas pelo HIV.
Uma das peças teatrais mais encenadas nos últimos anos nas diversas regiões do país - e que no Ceará virou filme -, "O Auto da Camisinha" é apresentada até hoje. De forma divertida, fala da importância do preservativo. Os jovens da Escola Lauro Rebouças de Oliveira riram, mas reconheceram que é importante usar preservativo.
Fique por dentro
Como é a sífilis
Os sintomas da sífilis variam de acordo com o estágio da doença. Assim, durante o primeiro estágio aparecem pequenas vesículas avermelhadas, indolores que se chamam "cancro". As pessoas desenvolvem o cancro geralmente na região próxima aos genitais, entretanto pode aparecer em qualquer lugar do corpo. As mulheres podem não perceber que têm cancro se os mesmos estiverem no interior da vagina. Os cancros localizados no pênis geralmente são visíveis. Estas vesículas podem surgir de dez dias a três meses após o contato com uma pessoa contaminada e duram normalmente de 1 até 8 semanas. Se for infectado e ficar sem tratamento, a doença evoluirá para um segundo estágio. Este segundo estágio é chamado de sífilis secundária que começa então de 6 a 12 semanas após o contato com uma pessoa infectada e pode durar desde algumas semanas até mesmo um ano. Os sintomas deste segundo estágio são: enrubescimento discreto da pele com o aparecimento de feridas e cascas por todo o corpo (exantema) que pode incluir manchas nas palmas da mão, na sola do pé que são altamente contagiosas; gânglios linfáticos (ínguas); sintomas de resfriado comum, tais como febre, corpo dolorido, dor de cabeça, fadiga e falta de apetite; perda de cabelos em tufos; crescimento de verrugas semelhantes a couve-flor na área em volta do ânus; periodicamente o segundo estágio da sífilis é seguido por um estágio de latência. Durante o período, se não tomar a medicação os sintomas irão desaparecer.
Informações: Diário do Nordeste / Reportagem e Fotos: Melquíades Júnior

Um comentário:

Ministério da saúde disse...

A melhor prevenção é a informação. Por isso, o Ministério da Saúde lançou a Campanha Use Sempre, para informar as pessoas sobre as medidas para prevenir as DST/Aids. Não podemos vacilar. É preciso, além de usar camisinha, ajudar a disseminar importantes informações sobre assunto. E você, por meio do seu blog, pode nos ajudar nesta tarefa. Podemos contribuir em sua página, com informações, vídeos e outros materiais.
Para mais informações Fernanda.scavacini@saude.gov.br