quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Chacina em Limoeiro do Norte

Passados vários anos da chacina, a população de Limoeiro do Norte não esquece daquelas cenas de violência.
Era pouco mais de 21:00h de quinta-feira, 18 de setembro de 2003, quando, num intervalo de menos de dez minutos, dois homens não identificados, numa moto, executaram a tiros sete pessoas, em três locais diferentes do Bairro Luiz Alves de Freitas, periferia do município.
Além do mistério sobre o porquê da chacina, a crueldade dos assassinos chegou ao ponto deles cortarem as orelhas de algumas das vítimas.
As duas primeiras mortes ocorreram na Rua do Arame, num trecho escuro e de pouca movimentação. As primeiras vítimas foram: um professor de inglês, conhecido como Juan, e um amigo dele, apelidado de 'Cesinha'. Ninguém teria testemunhado essas execuções, mas o estampido dos tiros pôde ser ouvido pela vizinhança. Os dois rapazes, aparentando entre 25 e 30 anos, tiveram as orelhas decepadas e foram alvejados várias vezes. Juan foi encontrado com um pedaço da orelha na boca.
A cerca de um quilômetro dali, na Rua José Ferreira Sombra, no bairro Luiz Alves de Freitas, onde funcionava um bar, foram cometidas mais quatro mortes. As vítimas foram identificadas pelos nomes de 'Dedé' (que seria proprietário do local), Clésio, Nem e Hudson. Pelo menos um deles teve a orelha cortada pelos assassinos. A ação novamente foi muito rápida. Algumas pessoas que estavam próximas ao bar teriam testemunhado essas quatro execuções.
Na fuga, os acusados seguiram poucos metros até a morte da sétima pessoa. O homem, que seria conhecido como 'Carequinha', teria ouvido os tiros e saiu na porta de casa para ver o que acontecia. Os dois matadores passavam no exato momento e, provavelmente por terem sido vistos atirando, também o executaram. A mulher da vítima, que se chamaria Solange, estava próxima a porta e também foi baleada. O tiro a atingiu gravemente a barriga e ela foi socorrida para o hospital da cidade.
A chacina mobilizou toda a cúpula da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Ainda na mesma noite, o secretário Wilson Nascimento e o comandante da Polícia Militar, coronel Sérgio Farias, seguiram de helicóptero para o município.
O Batalhão da PM sediado em Russas já havia enviado reforço para a cidade. Os corpos permaneciam estendidos no chão observados por um grande número de pessoas.
A região do Vale do Jaguaribe já havia recebido a visita do Secretário em 1º de julho passado, um dia depois da morte do radialista Nicanor Linhares, executado por pistoleiros na porta de sua emissora de rádio, com 11 tiros. Logo após a chacina as pessoas admitiram estar com medo da situação e pediram para não serem identificadas em entrevistas a diversos meios de comunicação. Ninguém fez referência de que a chacina e a morte do radialista pudessem ter ligação.
Os principais acusados de terem praticado a chacina foram José Roberto dos Santos Nogueira, o “Chico Orelha” e Cássio Santana de Souza. Outro envolvido seria José Wanderley dos Santos Nogueira, o “Cabeção”, irmão de “Chico Orelha”.
Segundo a polícia, “Chico Orelha” assinava seus crimes cortando parte das orelhas das vítimas. Das sete pessoas assassinadas, seis tiveram parte das orelhas cortadas.
Um dos motivos que teria levado “Chico Orelha” a executar com requintes de crueldade, duas pessoas em uma “boca de fumo” e mais adiante outras quatro que bebiam, em um bar, seria a revolta porque Rosideyre Diógenes Cunha, que dava cobertura logística ao namorado, foi presa. Ela estava escondida em Mossoró, numa casa localizada no Bairro Nova Betânia. O pistoleiro vinha efetuando ligações para a delegacia, onde a sua namorada estaria presa e prometia resgatá-la nos próximos dias, mostrando desta forma que estaria disposto a enfrentar a polícia.
Policiais lotados nas companhias de Polícia Militar de Russas e Limoeiro do Norte alertavam que novos derramamentos de sangue poderiam ter seqüência até que “Chico Orelha” fosse capturado. A caçada aos pistoleiros tinha continuidade, mas nenhuma pista sobre o paradeiro dos acusados tinha surgido.
ACUSADOS
“Chico Orelha” foi morto, durante um confronto policial, no Rio Grande do Norte. José Wanderley foi capturado, em Marabá, no estado do Pará, em abril de 2008.
Cássio Santana de Sousa, que havia escapado misteriosamente da ala de segurança máxima do IPPS, conhecida como “Selva de Pedra”, em junho de 2006, se juntou aos pistoleiros Wilson Trajano e Pedro Barreto de Freitas (o “Véio de Chico Péba”), e seqüestraram um empresário gaúcho.
Em agosto de 2007, Cássio foi preso na cidade de Alagoinhas, no Litoral Norte da Bahia (a 108 quilômetros de Salvador), e acabou baleado na troca de tiros com os policiais.
Em companhia dele, foi preso o baiano Antônio Luís Amorim, que levou os policiais até a casa em que o comparsa estava morando, na Rua H, Bairro Urbis III. No local, foram encontradas a pistola de uso restrito da polícia e 31 munições (calibre ponto 40) escondidas no guarda-roupa.
Também foi apreendida uma carteira de identidade falsa que Cássio estava usando, em nome de Erisvaldo Pereira dos Santos, baiano, da cidade de Coronel João Sá.
Depois de uma semana internado em um hospital de emergência em Salvador (BA), Cássio foi levado para a penitenciária federal do Mato Grosso do Sul, considerada de segurança máxima e onde estão enclausurados os maiores bandidos brasileiros, como o traficante Fernandinho Beira-Mar.

8 comentários:

Anônimo disse...

nossa essa matéria me faz lembrar aqueles dias de tenção.

Milton disse...

Caramba, muito massa essa postagem. Ainda lembro aquela época em que ninguém se orgulhava de dizer que era Limoeirense!

Deuziram disse...

Limoeiro JAMAIS será o mesmo depois da morte de Nicanor Linhares e a chacina...
Até hoje sinto um nó no peito, como um grito abafado!

Anônimo disse...

A inda bem que ja faz 31 anos que sair dessa cidade, que podemos chamar de (MORTE)a situação air ta feia como sempre POBREZA,POBREZA,E ALEM DE TUDO MATADORES DE SERES HUMANOS

Anônimo disse...

lUGAR DE MUITOS ORADORES, MAS POREM DE POUCA, E UM VERDADEIRO LUGAR DE CRUES FORRASTEIROS

PVH-RO

Anônimo disse...

esses carras carras que tao acusandu de matadores sao e ums laranjas quem sera realmen-te esses matatadores pq apolicia q emcobri isso nao descobre a verdade?

Anônimo disse...

Esse ridiculo que disse: "Ainda bem que sai dessa cidade" É um tolo idiota, nós não pecisamos de gente com esse pensamento por aqui. Basta voce dar uma lida nas outras reportagens, tem muita coisa boa aqui, muita gente de bem, que é a maioria. Sábio mesmo é o Ed, que se orgulha da sua cidade.

Maria Costa

Anônimo disse...

eu nasci ai nessa cidade e pra mim e a melhor cidade do estado do ceara eu morei ai 2 anos e era um lugar maravilhoso.So sai dai por causa de trabalho mas nao esqueci dai e espero em breve voltar e visitar a BARRAGEM DAS PEDRINHAS.Arrespeito das chacinas foi um infeliz acontecimento que todos os limoeirense te que esquecer porque "quem vive de passado e MUSEU".Esse e meu comentario sobre a cidade...