quinta-feira, 12 de março de 2009

Uniclinic goleia e complica o Limoeiro FC

Apesar de jogar bem o primeiro tempo, o Limoeiro FC perde muitos gols, e perde o rumo no final.
Em um jogo bem movimentado, o primeiro tempo foi equilibrado, com o Limoeiro bem fechado, dificultando as jogadas do Uniclinic, e dando muito trabalho ao goleiro Claudevan que fez grandes defesas.
O Limoeiro FC começa bem a partida, perdendo uma chance clara de gol com Chiquinho, logo aos 13min. Limoeiro pressionava o Uniclinic e poderia ter terminado o primeiro tempo vencendo, mas desperdiçou as melhores chances da partida.
Na volta do intervalo os times mantiveram o ritmo. Aos 15min Chiquinho saiu para a entrada de Renato Escurinho, para tentar dar mais velocidade ao Limoeiro. Mas aos 18min Jailson aproveitou um cruzamento e abriu o placar para a Águia da Precabura. Logo após o gol sofrido, o técnico Claudinho coloca o atacante Gilson Maratá no lugar do meia Júnior Ferreira, que não vinha bem na partida.
Ainda atordoado com o gol sofrido, a equipe limoeirense recua e logo em seguida, aos 22min, Marcos Paulista domina fácil na entrada da área e bate forte no canto direito do goleiro André, ampliando a vantagem do Uniclinic. Claudinho faz mais uma substituição, colocando o atacante Michel no lugar de Celinho.
Precisando correr atrás do prejuízo, o Limoeiro acorda e parte para cima, e aos 36min, depois que Samy aproveitou o cruzamento de Renato Escurinho, e dimunui a vantagem do Uniclinic.
Mas a reação parava por aí. Aos 40min o Limoeiro pára pedindo impedimento em uma jogada do Uniclinic, e Maurílio toca por cobertura na saída do goleiro André, fazendo o terceiro e derramando um balde de água fria no Limoeiro.
E para não perder o costume, o Limoeiro leva mais um gol no final da partida. Aos 46min Marcos Paulista faz seu segundo gol, sendo o quarto do Uniclinic, e fechando o jogo em 4x1, na noite desta quarta-feira (11/03).
Gols sofridos no final do jogo
O Limoeiro FC mantém a sina de sofrer gols nos minutos finais das partidas. Todos os 8 gols sofridos pelo Limoeiro no campeonato foram marcados no segundo tempo, sendo que 5 deles foram sofridos após os 40min.
O Limoeiro Futebol Clube ainda não sabe o que é vencer no campeonato. Com 3 pontos em 5 jogos, o Jaguar do Vale tem um aproveitamento de apenas 20%.
Neste momento o Limoeiro FC oculpa a última colocação da Segundona Cearense 2009, ao lado do Aracati, próximo adversário do Jaguar do Vale.
UNICLINIC x LIMOEIRO – Melhores Momentos
Imagens: TV JAGUAR

quarta-feira, 11 de março de 2009

Limoeiro do Norte foi a única cidade beneficiada com recursos para Saneamento Básico

Financiamento previa atendimento a 129 municípios, mas em quatro anos só a cidade de Limoeiro do Norte foi beneficiada.
Apesar de o País ter 47,5 milhões de brasileiros sem acesso a coleta de esgoto e 19 milhões viverem sem água tratada, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu na semana passada devolver R$ 134 milhões (US$ 57 milhões) ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e acabar com o Programa de Ação Social em Saneamento (PASS). Assinado em 2004, o contrato de financiamento previa (com a contrapartida do Orçamento brasileiro) investimentos totais de R$ 224,4 milhões (US$ 95,5 milhões) para atender 129 municípios.
Em quatro anos o governo conseguiu usar o dinheiro do BID em uma única cidade, Limoeiro do Norte (CE), e realizar licitações em apenas outras duas.
A história do fim do PASS e a devolução do empréstimo tomado no BID mede bem a distância entre as metas estabelecidas pelos governos e os objetivos efetivamente alcançados. É também um retrato do funcionamento precário da burocracia que não consegue viabilizar os investimentos públicos, mas está renovando as promessas de, com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), redimir o País nas áreas de habitação e saneamento. Os R$ 224,4 milhões do PASS eram para obras de esgoto e tratamento de água e, também, para estruturar empresas de gerenciamento, fiscalização e manutenção nos municípios.
Um ano foi gasto para que a União realizasse licitação para a contratação de empresa que iria gerenciar o programa, uma exigência do BID. Em 2006 começou a seleção dos municípios - que precisariam ter entre 15 mil e 75 mil habitantes, estarem localizados nas Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, no Espírito Santo ou norte de Minas Gerais e ter baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Mas 2007 foi gasto em um debate sobre manter o programa independente ou vinculá-lo ao PAC.
No ano passado, a conclusão foi deixar o PASS com apenas seis cidades - além de Limoeiro do Norte (CE), Quixeramobim (CE), Assu (RN), Ipojuca (PE), Santa Cruz do Capibaribe (PE) e Surubim (PE). Uma obra foi iniciada, duas licitações realizadas, o restante dos editais preparado. Mas, mais uma vez, tudo foi suspenso.
A decisão, tomada em conjunto pela equipe econômica e o staff do ministro das Cidades, Márcio Fortes - responsável pelo PASS -, foi a de encerrar o contrato com o BID e passar tudo para o PAC, inclusive as obras em andamento.
Depois de todo esse tempo, o governo concluiu que seria caro manter o empréstimo para fazer o trabalho em apenas seis cidades.
Oficialmente, diz que o Brasil não precisa mais de empréstimos para construir infraestrutura e pode arcar com a despesa.
COMPROMISSO
Nos quatro anos em que o Brasil manteve o empréstimo com o BID, foram retirados apenas US$ 2,5 milhões. O problema é que o dinheiro tem custo - há uma taxa de compromisso cobrada pelo BID quando o crédito é contratado, mas não é usado. No caso do Banco Interamericano, essa taxa representa 1% do valor financiado ao ano - foram pagos de taxa de compromisso US$ 570 mil a cada ano.
Os seis municípios que estavam na meta do PASS já têm recursos garantidos no PAC. Os outros 123 ainda não estão nem mesmo definidos e a possibilidade de atendimento perde-se no horizonte. Um dos temores dos técnicos é que nada do que foi feito até agora seja aproveitado, como as licitações, e tudo atrase ainda mais.
O Ministério das Cidades afirma que o programa foi encerrado porque o contrato expiraria nesta semana - na verdade, poderia ser prorrogado por pelo menos mais dois anos - e as obras foram então repassadas para o PAC "sem prejuízo do cronograma". O Estado questionou o governo sobre a falta de interesse em usar recursos contratados e disponíveis, mas o ministério disse que o responsável pela área (de saneamento) não estava disponível para responder.
O CASO
Início do projeto: Setembro de 2004.
Valor inicial: US$ 95,5 milhões, sendo 60% do BID e o restante da União.
Meta inicial: atender 129 municípios, sendo 41% do semiárido nordestino.
Final do projeto: Março de 2009.
Valor usado do BID: US$ 2,5 milhões
Municípios atendidos: 1 - Limoeiro do Norte (CE)
População com acesso a água tratada: 90% - 19 milhões de pessoas não têm água tratada.
População com acesso a coleta de esgoto: 75% - 47,5 milhões de pessoas não têm coleta de esgoto.


Fonte: ESTADÃO.com.br - Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA

Victor Hannover, o folclórico narrador cearense

Um dos mais célebres frasistas do futebol brasileiro foi Neném Prancha. Ex-jogador nos anos 30 se tornou funcionário do Botafogo e trabalhou como roupeiro, massagista, olheiro nas categorias de base. Ficou famoso por frases que são repetidas ad eternunn.
No Ceará, o narrador Victor Hannover resolveu seguir os passos de Neném Prancha. Suas frases surpreendentes, reportagens engraçadas se tornaram célebres no meio esportivo nordestino.
No jogo Limoeiro x Ceará, realizado em Limoeiro do Norte, em 2006, ele soltou a seguinte pérola:
"A bola é LARANJA, estamos em LIMOEIRO, ao lado de LIMA Júnior! É muita VITAMINA C."
Fonte: ClicRBS.com

terça-feira, 10 de março de 2009

Quem ficará com a chave da cidade?

Ontem aliados, hoje Paulo Duarte e João Dilmar disputam, na Justiça, a chave da cidade. Enquanto isso, a cidade pára no tempo, com a população incerta de quem irá comandar os rumos do município, e no aguardo da definição do caso.
As sugestões para novas charges podem ser enviadas para o e-mail:
limoeiroblog@hotmail.com

Estudantes e professores dos EUA visitam Limoeiro

Projetos sociais realizados em municípios cearenses despertam o interesse de estudantes e professores dos EUA.
Estudantes norte-americanos estiveram, no último fim de semana, entre Limoeiro do Norte e Aracati, visitando projetos sociais, trabalhos de artesanato e as propostas de turismo sustentável desenvolvido pelas comunidades. A comitiva era composta por 16 estudantes e cinco professores da Universidade Appalachian, da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
O grupo esteve em Limoeiro, no último sábado, e foi recepecionado pelo secretário da Cultura e do Turismo, Renato Remígio. No roteiro, visita à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Imaculada, ao Museu Sacro — no sótão da igreja. À tarde, foi realizada visita à Central de Artesanato Zé Pequeno, que reúne os trabalhos dos artesãos do município limoeirense.
O grupo é de estudantes do curso superior em Empreendedorismo Social e, conforme o professor Martin Meznar, a proposta é conhecer os trabalhos sociais desenvolvidos no Brasil, e discutir as formas de cooperação internacional.
Louceiras da família Pequeno vão receber apoio para construção da coberta.
Assim, a primeira parceria dos jovens universitários é apoiar na construção da cobertura do forno para as louceiras da família Pequeno, na localidade de Córrego de Areia. O artesanato em barro é comprado pelo empresário norte-americano Esteve Hester, que veio com a comitiva. Há alguns anos o norte-americano compra peças ornamentais e utensílios de barro feito pela mestra da cultura Lúcia Pequeno e suas irmãos louceiras. A Universidade Appalachian faz parceria com a Universidade do Parlamento, da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará.
Intercâmbio cultural
Após a visita a Limoeiro do Norte, os estudantes estiveram em Canoa Quebrada, no litoral de Aracati, onde conheceram os projetos sociais com circo, artesanato, teatro, dança e pintura que envolve as comunidades praianas de Canoa Quebrada e também da Vila dos Estêvão.
Conforme o secretário Renato Remígio, a visita dos estudantes e professores propicia um intercâmbio cultural e de conhecimento. “Já os convidamos para o regresso a Limoeiro para quem deles que fizer estágio em empreendedorismo social no Brasil”. Na Capital, visitam as instalações da Assembléia Legislativa, a Universidade de Fortaleza (Unifor), Nutec, porto do Mucuripe e projetos sociais realizados em Fortaleza. A comitiva regressa para as EUA em 14 de março.
COMITIVA
16 estudantes e cinco professores integraram a comitiva de visitantes, vindos da Universidade Appalachian, da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, para municípios do Estado.
Mais informações:
Prefeitura Municipal de Limoeiro do Norte
Secretaria da Cultura e do Turismo do Município
(88)3423.1965
Fonte: Diário do Nordeste / Reportagem e Foto: Melquíades Júnior

segunda-feira, 9 de março de 2009

Centro de Referência e Apoio à Mulher

O centro será construído no terreno que integra o Centro Social Urbano e terá uma área de 217,80m².
Dentre as comemorações alusivas ao Dia Intercional da Mulher foi lançada no último sábado (07/03), a Pedra Fundamental do Centro de Referência e Apoio á Mulher, Márcia Moura, no pátio interno do Centro Social Urbano.
Participaram do evento o prefeito municipal de Limoeiro do Norte, João Dilmar da Silva, juntamente com a primeira-dama Dra. Célia Costa Lima, que é presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
Conforme Dilmar, os recursos para a construção o Centro já estão em caixa, faltando apenas a publicação do edital de licitação para o início da obra que terá um custo total de R$ 275.034,02. Deste total a prefeitura de Limoeiro entrará com o valor de R$ 13.096,85 como contrapartida. Já foi liberado um valor de R$ 146.367,38 para obras e divulgação.
As atividades alusivas ao Dia da Mulher em Limoeiro iniciaram logo na manhã do sábado às 8 horas na Praça da Assunção, onde foram montadas oito tendas de prestação de serviços para a mulher limoeirense, como: vacinação contra rubéola, hepatite e tétano, verificação de pressão arterial e glicose; orientação psicológicas; orientação jurídica; palestras educativas contra Doenças Sexualmente Transmissíveis; maquiagem; noções de educação ambiental e distribuição de mudas; apresentação de linhas de créditos para mulheres pelo BNB e uma tenda que apresentará o projeto do Centro de Referência e do Conselho Municipal de Mulher. Ainda no sábado às 19 horas foi realizada uma missa de ação de graças na Igreja Matriz, seguida por show com Gil Tony, Edson Cley e Destaque Musical na Praça José Osterne.
No dia 8 de março, pela manhã, a Câmara Municipal realizou sessão solene em homenagem (in memorian) às mulheres vítimas de violência no município. Mulheres que foram assassinadas em Limoeiro, algumas delas de forma cruel, foram lembradas e seus parentes receberam da Câmara municipal uma singela lembrança de um buquê de rosas.
A solenidade teve ainda show de Celinha Acústico, e coquetel para os presentes, além de muita emoção. Na oportunidade foi confirmado pela vereadora Nadir Chaves, a sanção pelo prefeito municipal da Lei, denominando de Márcia Moura o Centro de Referência - projeto de sua autoria.
Fonte: Notícias do Vale / Foto: Mário Oliveira

domingo, 8 de março de 2009

Limoeiro FC sede o empate e segue sem vencer

Com um futebol limitado pelos desfalques do time, o Limoeiro FC sede o empate ao Trairiense no último minuto da partida.
Armado para jogar no contra-ataque, o Limoeiro FC iniciou tímido a partida, sendo pressionado pelo Trairiense que jogava em casa, e vinha de uma derrota expressiva de 4x0 diante do Crato.
O Limoeiro iniciou a partida com: André; Givanildo, Aroldo, Da Silva e Derlian; Freitas, Rafael, Celinho, Júnior Ferreira, Renato Escurinho e Samy.
Com um meio campo pouco produtivo, aos 32min da primeira etapa o atacante Samy, que se destacava na partida, abriu o placar em uma jogada individual, fazendo seu primeiro gol no campeonato e deixando o Limoeiro na frente do placar.
Na volta do intervalo, a equipe do Limoeiro sentiu os desfalques de Chiquinho, Jaerdes e Adriano Silva (expulsos na partida diante do São Benedito), e aos 29min, em um lance involuntário, o lateral Derlian atingiu um jogador do Trairiense, sendo expulso. Em conseqüência da falta, o jogador Sidinho do Trairiense saiu do jogo, e como a equipe já havia efetuado as três substituições, também ficou com um homem a menos em campo.
Quando tudo parecia definido, depois de perder uma bola no meio campo, o Limoeiro deu a chance de um contra-ataque ao Trairiense, que teve uma falta a seu favor. E aos 44min do segundo tempo, Zé do Gás pegou o rebote da cobrança da falta e empatou para o Trairiense no último minuto da partida.
O Limoeiro FC continua sem vencer no campeonato, e o técnico Claudinho começa a ser pressionado pela falta dos resultados. Com apenas 3 pontos em 4 jogos, o Jaguar do Vale se complica na Segundona 2009, e começa a ver a 1ª Divisão Cearense cada vez mais longe.

Vale do Jaguaribe em artigos

Historiadores da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos lançam livro: "Vale do Jaguaribe - histórias e culturas".
Um dia, guiados pelo Rio Jaguaribe, os invasores colonizadores encontraram os índios, as onças, e fincaram os pés no Vale do Jaguaribe, o primeiro ponto da ocupação no Ceará. Séculos depois da “descoberta”, impulsionados pela curiosidade e a impertinente busca de conhecimento, historiadores por formação encontram papéis velhos, mofados, empoeirados, mas também elementos vivos da memória, das histórias e tradições locais. Numa prova de que a história é passado, mas presente; particípio, mas gerúndio, aguça-se a sensibilidade e estuda-se a própria realidade, já que presente prevê o futuro.
Pôr-do-sol: Paisagem relembra a época de ouro da região, quando a economia estava solidificada com o comércio de cera de carnaúba.
Retratos da realidade do Vale do Jaguaribe e, ao mesmo tempo, recortes universais da humanidade estão grafados em “Vale do Jaguaribe – histórias e culturas”. Não é só um apanhado de artigos acadêmicos, mas a chama da resistência, no Interior, do registro do conhecimento. Apesar de o Cariri ser, emblematicamente, o que primeiro vem à mente de um leigo quando o assunto é Interior deste Estado da Nação, foi na região jaguaribana que teve início a incursão “civilizatória” propriamente dita no Ceará.
Início para uns e fim para outros – os naturais donos, diga-se, já que os índios foram expulsos e dizimados justo no período de sua grande resistência à colonização, na famosa Guerra dos Bárbaros. O Jaguaribe (do tupi: Rio das Onças), virado em mar de sangue, ficou sem onça, índio e até sem água – não fosse perenizado pelos açudes ainda seria “o maior rio seco do mundo”.
Mas outros povos assumiram o lugar, e a partir de quando se fez registro escrito, de vida ou de morte, têm-se aí o alvo dos graduandos do curso de História da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos, unidade descentralizada da Universidade Estadual do Ceará (Uece), em Limoeiro do Norte. Eles são os autores do livro.
Sertão e cidade
Se for considerado do ponto de vista histórico e social, o livro é sobre o Vale do Jaguaribe, mas geograficamente do que se fala é o Baixo Jaguaribe, especialmente Limoeiro do Norte – locos de dez dos 16 artigos que compõem o livro, que está dividido em quatro partes: Sertão, cultura e trabalho; Cidade, cultura, poder e religiosidade; Campo e cidade – as doenças não têm fronteiras; e Escravidão e ciganos - um olhar histórico-antropológico. Quem já cortou o Ceará de norte a sul e viu que, no meio do caminho tem carnaubal, talvez não saiba que, no meio do curso da história, entre os séculos XIX e XX, o extrativismo desse vegetal colocou a região jaguaribana no mercado internacional.
O Ciclo da Cera de Carnaúba, de que fala o professor Olivenor Chaves, organizador do livro. Já dizia padre Antônio Thomaz que “tudo, na carnaubeira, é prestante e amigo. Nenhuma árvore é mais dadivosa e fecunda”, bem sabiam disso que os ribeirinhos de várzea do Jaguaribe faziam riqueza do pó da cera e da palha. No município de Palhano, uma família artesã inteira aproveita a noite enluarada para os serões de trança de palha de carnaúba, a feitura de bolsas e chapéus. O antigo proprietário de carnaubais em Russas, Elias Bento, conta que ganhou tanto dinheiro “que guardava dentro de uma mala, sabe? Comprei casa na cidade pra meus oito filhos. Vamos dizer que eu era rico... A natureza já dava pronta, nem precisava a gente pedir inverno, era como se Deus dissesse: esse povo mora num canto seco, num vão ter o que comer no verão, então-se, eu vou dar a carnaubeira para eles sobreviver, a natureza é muito sábia, tudo que Deus faz é certo, sabia?”, conta.
Obra
Para saber ou lembrar, “Vale do Jaguaribe – histórias e culturas” é uma obra acadêmica destinada à comunidade jaguaribana e aos interessados em conhecer o período de colonização da região. O livro é um encontro de olhares do povo jaguaribano, que escreve e lê, com suas próprias histórias.
De um lado, exercício da pesquisa; de outro, reparo da memória da formação das elites locais e as relações de poder sobre as camadas populares da pirâmide social.
Mais informações:
'Vale do Jaguaribe - histórias e culturas'. 302 páginas
José Olivenor Sousa Chaves - Organizador
(85) 9188.9800
Fonte: Diário do Nordeste / Reportagem e Foto: Melquíades Júnior

Histórias renascem com as relações sociais

Mestre da cultura: Louceria Lúcia Pequeno, destaque no cenário cultural de Limoeiro. (Foto: Melquíades Júnior)
A publicação de “Vale do Jaguaribe – histórias e culturas” tem um significado novo na historiografia da região jaguaribana, em que pese a predominância de apanhados de memorialistas em outras publicações.
Dessa vez são 16 trabalhos científicos, ainda que uma condensação de monografias, e mesmo que tais trabalhos ainda pareçam carecer de dados, mais tempo, mais informações em trabalhos que transcendem à pesquisa histórica, almejam a Sociologia, a Antropologia.
Das relações sociais e econômicas entre famílias de artesãos são feitas as comunidades, as histórias. Curiosidades temperam as relações sociais dos atores jaguaribanos, como as famosas louceiras do Córrego de Areia, em Limoeiro, pesquisadas pela professora doutora Francisca Mendes: “Merece destacar que, aos olhos das louceiras, a lagoa (local de extração do barro) é muito mais do que a extensão de uma terra cheia de escavações. Ela revela caminhos por onde as outras passaram, uma vez que identificam quem esteve antes no local, que quantidade de barro levou e quanto tempo faz, a partir dos sinais deixados nas escavações. Algumas louceiras cobrem os lugares escavados para que as outras não percebam que ali tem um barro de boa qualidade”.
Outras curiosidades a se encontrar no livro: “um escravo de nome Tibúrcio, com idade de deseceis annos, cor mulato, filho de uma escrava minha por nome Joaquina... o alforrio... desde já gosar de sua liberdade... somente impondo a condição de me acompanhar até o fim da minha vida...”. É o trecho de uma carta de alforria na Vila do Espírito Santo, em Morada Nova. Vê-se que o documento pouco valia de quebra de algemas na relação senhor-escravo. Um dos pontos a se destacar da publicação são as centenas de referências bibliográficas.
É preciso concordar com o professor e deputado federal Ariosto Holanda, que escreve o prefácio da obra: o livro representa um significado histórico em si, o encurtamento da distância entre a faculdade e os níveis médio e fundamental de ensino, além da oportunidade de olhar o presente tendo como referência o passado. Ainda diz Ariosto que o material “não deixa de ser um tratado antropológico da região”. Mais do que isso, é uma demonstração de que transbordam em potencial para as ciências humanas os pesquisadores da história – com Geografia, Letras e Pedagogia formam os únicos cursos da área de humanas.
Fundação
Com 40 anos da fundação, a Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos, que não tem curso de Filosofia, carece de cursos como Ciências Sociais e Filosofia; e bacharelado, não somente cursos em licenciatura – motivos para fuga de “cérebros” da região, que não querem enveredar pelo trabalho docente. “Este livro nasceu de um desejo, compartilhado com os bolsistas do Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de História da Fafidam, de reunir os resultados das pesquisas desenvolvidas por bolsistas no referido programa, as quais resultaram em suas monografias de final de curso de graduação em história”.
E completa: “a motivação era darmos visibilidade ao conhecimento histórico produzido por nossos alunos, de modo que uma gama variada de público pudesse ter acesso a cada uma das pesquisas selecionadas para compor essa coletânea”, explica José Olivenor Sousa Chaves, professor doutor do curso de História e organizador do livro, em parceria com os alunos do curso de História da Fafidam.
SAIBA MAIS
Trechos
A seguir, alguns dos trechos da obra, para situar o leitor nos aspectos abordados no livro:
Farinhada
"Muito importantes até as décadas de 1970, as casas de farinha representam o lugar da memória, o espaço da saudade, embora ainda seja possível se encontrar em funcionamento, pelo Baixo Jaguaribe".
Ocupação
"A ocupação civilizatória no Vale do Jaguaribe teve início no século XVII, em decorrência da criação de gado, a partir de duas rotas de penetração: uma, vinda de Pernambuco pelo baixo curso do Rio Jaguaribe, e outra, procedente da Bahia, vinda pelo alto curso do rio".
Resgate
"Trabalho de amor num terreiro de umbanda em Limoeiro: põe-se em um pirex as fotos das duas pessoas, escreve-se os nomes completos nas velas e as coloca sobre as fotos. Depois é derramado mel dentro do pirex, para inundar de doçura a relação que se pretende levar a efeito. Ao final, borrifa-se perfume".
Fonte: Diário do Nordeste / Reportagem e Foto: Melquíades Júnior

sábado, 7 de março de 2009

Limoeiro recebe comitiva de estudantes americanos

Limoeiro do Norte recebe neste sábado, 7 de março, a visita de uma comitiva de 16 estudantes e cinco professores da Universidade Appalachian, da Carolina do Norte, Estados Unidos.
Os estudantes devem chegar às 11 horas ao município e serão recepcionados pelo secretário de cultura e turismo de Limoeiro, Renato Remígio. A comitiva visitará a Igreja Matriz, o Museu de Arte Sacra, a Casa do Artesão e as atividades comemorativas do Dia da Mulher, na Praça da Assunção.
À tarde visitarão o núcleo de produção de artesanato da família Pequeno, na comunidade do Córrego de Areia, onde será construída a cobertura do forno da mestre da cultura Lúcia Pequeno e os demais componentes da família. Os alunos cursam Empreendedorismo Social e além da visita a Limoeiro devem realizar projetos sociais em Fortaleza e no Litoral Leste. Está agendada uma visita a Aracati e Canoa Quebrada, onde o grupo irá conhecer o trabalho realizado pelos artesãos locais.
De acordo com a Universidade do Parlamento visitam ainda Beberibe e Morro Branco no dia 9, e regressam a Fortaleza. Na Capital visitam as instalações da Assembléia Legislativa, a Universidade de Fortaleza, Nutec, porto do Mucuripe e projetos sociais realizados em Fortaleza. A comitiva regressa para a Carolina do Norte em 14 de março.
Fonte: www.limoeirodonorte.ce.gov.br

Preparativos para o "Limoeiro Junino 2009"

A Secretaria de Cultura e Turismo de Limoeiro do Norte convoca todos os quadrilheiros juninos e entidades afins para participarem de uma reunião para discussão do projeto "Limoeiro Junino 2009".
A reunião será realizada na próxima segunda-feira, 9 de março, no auditório da Secretaria de Educação do Município, a partir das 17h.

Fim da caçada Policial: Mais dois bandidos mortos

Policiais militares trocaram tiros com os assaltantes na região entre os municípios de Potiretama e Alto Santo, no Vale do Jaguaribe.
Terminou na Região do Vale do Jaguaribe a caçada policial a uma quadrilha de bandidos que havia assaltado um banco na cidade de Luiz Severiano, no Rio Grande do Norte, e fugido para o Ceará. Ontem, mais dois integrantes do bando acabaram mortos em confronto com a Polícia dos dois Estados. A operação terminou com o total de quatro bandidos executados e um ainda foragido.
Na última terça-feira, os assaltantes haviam atacado a agência do Bradesco de Luiz Severiano e uma lotérica, roubando cerca de R$ 23 mil. Na fuga, entraram no Ceará e, no dia seguinte, foram cercados no Município de Alto Santo (a 243Km de Fortaleza). Dois deles morreram em tiroteio com os policiais militares.
Sexta-feira (06/03), a cena se repetiu em duas ocasiões. A primeira, por volta de 3h30, na localidade de Sítio Baixa Funda, em Alto Santo. Um bandido, ainda não identificado, trocou tiros com os PMs e tombou sem vida. Ele estava armado com uma pistola de calibre 9 milímetros e portava cerca de R$ 15 mil, parte do dinheiro roubado.
Por volta das 10h30, aconteceu o segundo embate. Um assaltante havia feito refém o dono de um apiário e o obrigou a conduzi-lo na caminhonete modelo S-10, azul, de placas CGL-4559 (SP), pela estrada que liga as cidades de Potiretama e Alto Santo, no Ceará.
No caminho, o assaltante e o refém foram interceptados pela Polícia. As equipes policiais chefiadas pelo delegado-regional de Jaguaribe, Edmar Beserra Granja; e pelo comandante do 1º BPM (Russas), coronel PM Evânio Macedo, tinham recebido informações anônimas - por telefone - dando conta de que dois homens, em atitudes suspeitas, seguiam pela estrada na caminhonete azul, em direção ao Centro de Alto Santo.
“Saímos em diligências e encontramos a S-10 na estrada. Logo, o bandido que colocava a arma na cabeça do motorista disse que não ia se entregar. Foi uma situação muito tensa”, contou o delegado Granja. No momento em que o bandido apontou a arma para os policiais, foi atingido com um tiro na cabeça e morreu na hora, e o refém resgatado ileso.
Identificação
O segundo assaltante morto foi identificado como José Willame da Silva, 24, natural de Morada Nova (CE), residente no distrito de Uiraponga. Segundo a Polícia, ele já tinha envolvimento em crimes, como assaltos a ônibus. Na quarta-feira, tombaram mortos os assaltantes Francisco Ednaldo Alves Moura, o "Naldo", natural de São João do Jaguaribe (CE); e Dalcimar Ferreira dos Santos, 21, de Umarizal (RN).
As autoridades descobriram que outro bandido cearense, identificado como Vander Roger Guabiraba Freire, o "Vaca Magra", participou do assalto. Ele ainda está foragido.
Fonte e Ilustração: Diário do Nordeste

sexta-feira, 6 de março de 2009

Criminosos ainda estão foragidos no matagal

Policiais civis e militares do Ceará e do Rio Grande do Norte dão prosseguimento à caçada na Região do Vale do Jaguaribe na tentativa de prender três bandidos integrantes de uma quadrilha interestadual que praticou um assalto a banco na cidade de Severiano Melo (RN), na última terça-feira, e fugiu para o Ceará, vindo se esconder na zona rural do município de Alto Santo (a 243Km de Fortaleza).
Durante um confronto com os policiais, na localidade de Sítio Baixio, dois bandidos morreram. Três continuam sendo procurados. Segundo o delegado-regional de Jaguaribe, Edmar Bezerra Granja, um dos criminosos mortos usava identidade. Tratava-se de Dalcimar Ferreira dos Santos, 21, natural de Umarizal (RN). Ele usava documentos falsos em nome de Jair Lopes da Cunha, natural de Caraúbas (RN).
O segundo bandido morto era bastante conhecido da Polícia do Ceará. Tratava-se de Francisco Ednaldo Alves Moura, o "Naldo", natural de São João do Jaguaribe e irmão do pistoleiro Francisco Lindenor Moura Júnior, um dos responsáveis pelo assassinato do radialista Nicanor Linhares.
Identificou
As buscas aos criminosos, que estão sendo chefiadas pelo coronel PM Evânio Macedo, comandante do 1º BPM (Russas), continuam sendo realizadas na divisa dos dois Estados, na Chapada do Apodi. Segundo apurou a Polícia, dos três bandidos ainda foragidos na mata um já está identificado. Trata-se do assaltante cearense Vander Roger Guabiraba Freire, o "Vaca Magra", integrante da quadrilha chefiada pelos bandidos Cássio Santana (preso na Bahia) e Wilson Trajano.
A quadrilha da qual Roger pertence foi desarticulada em 2006, após seqüestrar um empresário gaúcho, em Limoeiro do Norte, mas o bando se refez.
Fonte: Diário do Nordeste / Foto: Kiko Silva (Informações: Notícias do Vale)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Entra e sai na prefeitura de Limoeiro do Norte

Clima na cidade é de expectativa sobre qual será a decisão definitiva da Justiça, sobre quem irá assumir a prefeitura desta cidade.
Paulo Duarte (PSDB) assumiu a Prefeitura de Limoeiro do Norte na manhã desta quarta (04/03), e, à tarde, já não era mais o prefeito municipal daquela cidade.
O juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), Jorge Luís Girão Barreto, determinou, por medida liminar, o retorno de João Dilmar da Silva (PRB) e Raimundo Nonato Pinheiro (PT), aos cargos de prefeito e vice de Limoeiro do Norte, respectivamente.
A decisão, em uma Ação Cautelar Inonimada proposta por Dilmar e Pinheiro, ambos cassados pela juíza eleitoral da 29ª Zona Eleitoral daquela cidade, Luciana Teixeira de Souza, na última terça-feira. Eles alegaram que não tiveram oportunidade de exercerem o direito da ampla defesa, posto que a juíza decidiu não ouvir algumas das testemunhas que apresentaram no processo.
Na manhã desta quarta-feira (04/03), em Limoeiro, foi feita uma festa pelos partidários de Paulo Duarte que havia sido diplomado no Cartório Eleitoral da cidade e tomou posse na Câmara Municipal e chegou a assumir o cargo, de prefeito. No fim do dia, a festa foi dos partidários de Dilmar. Duarte poderá recorrer da decisão.
Fonte: Diário do Nordeste / Foto: Mário Oliveira

Centenário de nascimento de Patativa do Assaré

Em 2009, comemora-se o ano do Centenário de nascimento do poeta Patativa do Assaré, considerado o maior expoente do gênero.
Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré (Assaré, 5 de março de 1909 — 8 de julho de 2002), foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro.
Na década de 80, pela primeira vez Limoeiro do Norte recebeu o poeta popular Patativa do Assaré, que se apresentou na quadra de esportes do Colégio Diocesano Pe. Anchieta, ladeado dos cantores Eugênio Leandro e Dilson Pinheiro, num belíssimo show cultural.
Na foto, Eugênio Leandro e Patativa do Assaré num gostoso papo.
Quando morreu, em 2002, o cantador sertanejo Patativa do Assaré orgulhava-se de sua coerência. Em 93 anos de vida, ele praticamente não abandonou sua roça no interior do Ceará (com exceção de alguns meses quando morou no Pará) e, acima de tudo, Patativa, como mestre da poesia oral, jamais tentou publicar um texto com os próprios meios, sendo sempre editado pelos admiradores de sua obra.
Biografia
O poeta Patativa do Assaré foi uma das principais figuras da música nordestina do século XX.
Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença.
Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu.
Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passa a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, freqüenta a escola local, em que é alfabetizado, por apenas alguns meses. Mesmo antes disso já compunha versos próprios, os quais ele decorava. Aos dezesseis anos sua mãe vende uma ovelha e lhe dá sua primeira viola. A partir dessa época, começa a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebe o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave. Patativa viaja para Belém do Pará, e para Macapá (Amapá) onde se apresentava como violeiro.
Volta para o Ceará para trabalhar na terra, indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, “Inspiração Nordestina”, de 1956. Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar “Cantos do Patativa”.
Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, “Patativa do Assaré: novos poemas comentados”, e em 1978 foi lançado “Cante lá, que eu canto cá”. Os outros dois livros, “Ispinho e Fulô” e “Aqui tem coisa”, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994.
Patativa do Assaré foi a voz não só do sertanejo nordestino e dos trabalhadores rurais; mas de todos os injustiçados, marginalizados e oprimidos. Sua poesia, embora enraizada no sertão nordestino, é ao mesmo tempo universal por representar o sentimento de uma classe social com a autenticidade de quem é ‘do povo’. Além de poeta popular, foi cantador, violeiro, improvisador, poeta de bancada e também escreveu cordéis (apesar de não se considerar um "cordelista").
Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou (Cariri) no interior do Ceará. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade.
A transcrição de sua obra para os meios gráficos perde boa parte da significação expressa por meios não-verbais (voz, entonação, pausas, ritmo, pigarro e a linguagem corporal através de expressões faciais, gestos) que realçam características expressas somente no ato performático (como ironia, veemência, hesitação, etc). A complexidade da obra de Patativa é evidente também pela sua capacidade de criar versos tanto nos moldes camonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Ele próprio diferenciava seus versos feitos em linguagem culta daqueles em linguagem do dia-a-dia (denominada por ele de poesia "matuta").
Patativa transitava entre ambos os campos com uma facilidade camaleônica e capacidade criadora e intelectual ainda não totalmente compreendidas pelo meio acadêmico. Sua obra, de dimensão tanto estética quanto política, aborda diferentes temas, e possui outras vertentes além da social/militante; como a telúrica, religiosa, filosófica, lírica, humorística/irônica, motes/glosas, entre outras. As múltiplas tentativas de categorização da obra de Patativa do Assaré (muitas vezes subjetivas e sem base teórica) expõem falhas inerentes dos próprios parâmetros de julgamento. Estes, na maior parte, baseados em pressuposições e preconceitos que levam a dois extremos: a representação idealizada do mito, a exclusão pela classe social, nível de escolaridade, etc.
Informações:
Livro: Limoeiro em Fotos e Fatos (Maria das Dores Vidal Freitas)
Site: Wikipédia