quinta-feira, 5 de março de 2009

Centenário de nascimento de Patativa do Assaré

Em 2009, comemora-se o ano do Centenário de nascimento do poeta Patativa do Assaré, considerado o maior expoente do gênero.
Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré (Assaré, 5 de março de 1909 — 8 de julho de 2002), foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro.
Na década de 80, pela primeira vez Limoeiro do Norte recebeu o poeta popular Patativa do Assaré, que se apresentou na quadra de esportes do Colégio Diocesano Pe. Anchieta, ladeado dos cantores Eugênio Leandro e Dilson Pinheiro, num belíssimo show cultural.
Na foto, Eugênio Leandro e Patativa do Assaré num gostoso papo.
Quando morreu, em 2002, o cantador sertanejo Patativa do Assaré orgulhava-se de sua coerência. Em 93 anos de vida, ele praticamente não abandonou sua roça no interior do Ceará (com exceção de alguns meses quando morou no Pará) e, acima de tudo, Patativa, como mestre da poesia oral, jamais tentou publicar um texto com os próprios meios, sendo sempre editado pelos admiradores de sua obra.
Biografia
O poeta Patativa do Assaré foi uma das principais figuras da música nordestina do século XX.
Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença.
Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu.
Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passa a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, freqüenta a escola local, em que é alfabetizado, por apenas alguns meses. Mesmo antes disso já compunha versos próprios, os quais ele decorava. Aos dezesseis anos sua mãe vende uma ovelha e lhe dá sua primeira viola. A partir dessa época, começa a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebe o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave. Patativa viaja para Belém do Pará, e para Macapá (Amapá) onde se apresentava como violeiro.
Volta para o Ceará para trabalhar na terra, indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, “Inspiração Nordestina”, de 1956. Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar “Cantos do Patativa”.
Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, “Patativa do Assaré: novos poemas comentados”, e em 1978 foi lançado “Cante lá, que eu canto cá”. Os outros dois livros, “Ispinho e Fulô” e “Aqui tem coisa”, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994.
Patativa do Assaré foi a voz não só do sertanejo nordestino e dos trabalhadores rurais; mas de todos os injustiçados, marginalizados e oprimidos. Sua poesia, embora enraizada no sertão nordestino, é ao mesmo tempo universal por representar o sentimento de uma classe social com a autenticidade de quem é ‘do povo’. Além de poeta popular, foi cantador, violeiro, improvisador, poeta de bancada e também escreveu cordéis (apesar de não se considerar um "cordelista").
Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou (Cariri) no interior do Ceará. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade.
A transcrição de sua obra para os meios gráficos perde boa parte da significação expressa por meios não-verbais (voz, entonação, pausas, ritmo, pigarro e a linguagem corporal através de expressões faciais, gestos) que realçam características expressas somente no ato performático (como ironia, veemência, hesitação, etc). A complexidade da obra de Patativa é evidente também pela sua capacidade de criar versos tanto nos moldes camonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Ele próprio diferenciava seus versos feitos em linguagem culta daqueles em linguagem do dia-a-dia (denominada por ele de poesia "matuta").
Patativa transitava entre ambos os campos com uma facilidade camaleônica e capacidade criadora e intelectual ainda não totalmente compreendidas pelo meio acadêmico. Sua obra, de dimensão tanto estética quanto política, aborda diferentes temas, e possui outras vertentes além da social/militante; como a telúrica, religiosa, filosófica, lírica, humorística/irônica, motes/glosas, entre outras. As múltiplas tentativas de categorização da obra de Patativa do Assaré (muitas vezes subjetivas e sem base teórica) expõem falhas inerentes dos próprios parâmetros de julgamento. Estes, na maior parte, baseados em pressuposições e preconceitos que levam a dois extremos: a representação idealizada do mito, a exclusão pela classe social, nível de escolaridade, etc.
Informações:
Livro: Limoeiro em Fotos e Fatos (Maria das Dores Vidal Freitas)
Site: Wikipédia

Um comentário:

Bruninha disse...

como faço pra conseguir esse livro "Limoeiro em fotos e fatos"?