sexta-feira, 8 de maio de 2009

Chuvas trazem perdas para a bovinocultura

O excesso de chuva provoca queda da produção leiteira e aumento da mão-de-obra para cuidar do rebanho. A criação de gado de Zé Tárcio precisou ser removida há pouco mais de um mês do Sítio Danças, de Limoeiro, em direção ao triângulo de Morada Nova.
As inundações causadas no período chuvoso do Nordeste também desalojam os animais, principalmente a criação de gado, ovelhas e cabras, que influenciam diretamente a economia. Os alagamentos nas áreas baixas têm levado os criadores a transferirem para áreas de terra firme a sua “criação”. Entre março e abril, milhares de cabeças de gado sofreram deslocamentos para outras áreas do Ceará. Essa necessidade tem causado prejuízo ao bolso dos criadores e à saúde produtiva dos animais. Em alguns casos, a perda atinge 50% da produção.
O criador José Tárcio Nunes Alves, ou “Zé Tibão”, de Limoeiro do Norte, transferiu há pouco mais de um mês suas 32 cabeças de gado do Sítio Danças em direção ao triângulo de Morada Nova. A intenção é fugir dos alagamentos e evitar que o gado morresse afogado, mas não se livrou de, ainda assim, acumular prejuízo.
Desembolso
Para o deslocamento de 15 quilômetros precisou desembolsar R$ 100 para um caminhoneiro, além de, todos os dias, fazer duas viagens de casa ao local da criação. “Infelizmente foi o jeito fazer isso, se não o prejuízo era maior”, contou o criador.
Nas primeiras semanas em que houve deslocamento para o “terreno de Caatinga”, como definem a mata solta entre carnaubais perto das rodovias, era evidente a mudança de produtividade das vacas.
Menos produtividade
Em ordenhas que de uma vez só se extraia 80 litros de leite, a mesma vaca estava “dando” apenas 40, 45 litros. José Tárcio e dezenas de outros produtores das áreas baixas de Limoeiro do Norte, Tabuleiro e Morada Nova têm reclamado da menor produtividade e da sensível redução diária na oferta de leite nas cidades — os criadores do município de Limoeiro produzem, em meses normais, cerca de 50 mil litros de leite por dia.
De acordo com a veterinária Ivana Cristina, as mudanças de lugar influenciam diretamente na produtividade do gado. “Se mudar o ordenhador e a forma de manejo, por exemplo, já pode haver uma diminuição na produção do leite”, afirma, acrescentando que a única saída é aguardar o tempo de adaptação, para identificar melhores resultados na produtividade animal.
Esse é outro problema anunciado para os criadores, já que, quando reduzirem as chuvas e diminuírem os alagamentos, o gado será transferido para os locais de origem, e passarão por novo processo de adaptação. “O custo está muito alto pra gente, e o criador precisa estar preparado para as despesas”, admite José Tárcio.
Atividade econômica
A pecuária é, ao lado da agricultura irrigada, uma das principais atividades econômicas na região jaguaribana e do Estado. O setor agropecuário cresceu 24,59% em 2008 em relação ao ano anterior, no Estado. A produção de leite, que aumentou 9%, teve participação importante no Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Municípios como Morada Nova e Jaguaribe são conhecidos por terem uma das maiores bacias leiteiras do Ceará. A produção é vendida in natura e também é utilizada na fabricação de queijos, que são produzidos principalmente no município de Jaguaribe e vendidos em todo o Estado.
Os criadores também destacam que, por conta dos deslocamentos em virtude das cheias, mais cedo que o usual, as vacas apartam-se de seus filhotes, ou seja, suspendem a amamentação dos bezerros.
O agricultor José Tárcio, da cidade de Limoeiro do Norte e que “mexe” com gado “desde que se entende por gente”, conta que o seu prejuízo só não foi maior porque transferiu o seu rebanho no início do mês de abril, já prevendo a rigorosa quadra chuvosa.
Informações: Diário do Nordeste / Reportagem e Foto: Melquíades Júnior

2 comentários:

Anônimo disse...

Alex,
Por favor, não esqueça de postar essa nota, pois o seu blog é bastante lido.
Grata, Cláudia Monteiro.

DIÁRIO DO NORDESTE - CADERNO REGIONAL - COLUNA SATÉLITE - 08/05/2009

COLUNA
Satélite

Limoeiro do Norte. O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, visita, hoje, pela manhã, o Campus
Limoeiro do Norte do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Ceará (IFCE). Acompanhado pelo reitor Cláudio Ricardo Gomes de Lima, ele vem
se reunir com os professores e pesquisadores do campus e conhecer os projetos
de pós-graduação e de revista científica, além de se informar dos novos cursos
técnicos e de graduação, cujas inscrições estarão abertas a partir do próximo
dia 18 pelo site www.ifce.edu.br/ccc.

Leia a coluna toda: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=636509

Alex Chaves Monteiro disse...

Cláudia,

Obrigado pela informação, e estou a disposição.

Alex.